Por que a antiga Missa em Latim?

A pergunta mais feita quando se ouve falar ou quando se participa da Missa Tridentina pela primeira vez é: POR QUE A ANTIGA MISSA EM LATIM? Essa é uma tríplice pergunta que pede uma tríplice resposta.

 

1. Por que a MISSA?

A única razão de ser e justificação das atividades da Igreja é a salvação eterna dos seres humanos, criados para um dia viverem felizes para sempre no Céu. Essa salvação eterna tornou-se disponível para todos no dia que Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, sacrificou sua vida na cruz do Calvário. É através do sacrifício da Missa que as graças e os méritos da Cruz chegam até nós de outra forma, separada da primeira sexta-feira santa por vinte séculos. O sacrifício da Missa, A RENOVAÇÃO INCRUENTA DO SACRIFÍCIO DA CRUZ, portanto, não é apenas o ponto central do culto católico romano, mas, mais ainda, é o coração da Igreja, sem a qual a Igreja simplesmente não poderia sobreviver. A situação atual na Igreja prova apenas tão tragicamente o quanto certo estava o falecido Cardeal Newman quando ele escreveu: “Tolle Missam, tolle Ecclesiam – Destrua a Missa, e você destruirá a Igreja!”

 

2. Por que a missa em LATIM?

Em cima da cruz sobre a qual nosso Salvador morreu, a causa de sua morte – “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus” – foi escrita em hebraico, grego e latim. Em memória a este fato histórico, a Missa da Igreja Católica Romana, desde o primeiro século, mantendo sempre algumas expressões em grego (como o Kyrie) e hebraico (Halləluya), tem sido foi feita em latim, que era a língua da antiga Roma, sede de São Pedro e dos papas que iriam sucedê-lo.

O Império Romano foi o maior perseguidor do cristianismo em seu início, mas que acabou por se converter e se tonar a sua sede. Por isso o latim também representa a vitória de Cristo e sua Igreja, pois a língua do seu antigo perseguidor se tornou a sua língua oficial, usada para proclamar a grandeza e as glórias de Deus.

Preservar o latim no culto público da Igreja é preservar o vínculo entre a Igreja de hoje e a Igreja do passado.

Além de ser um sinal de CONTINUIDADE histórica, a língua latina é também um sinal da UNIVERSALIDADE. Ninguém insistiu mais firmemente nesse ponto que o Papa João XXIII, o papa mais contrariado e desobedecido dos tempos modernos, que fizeram suas as palavras de Pio XI: “A Igreja universal deve ter uma linguagem universal.” Assim como os católicos romanos têm o direito de exigir as mesmas crenças entre os membros de sua Igreja em qualquer lugar no mundo, então eles têm o direito de encontrar-se “em casa” em cada uma das suas igrejas em todo o mundo. Isso eles sempre fizeram e fazem quando devidamente treinam usando os missais bilíngues, contendo de um lado [da página] a tradução na sua própria língua, enquanto do outro lado, os sons familiares do Latim são [deveriam ser] ouvidos desde a infância como uma segunda língua materna, a da sua Santa Madre Igreja.

 

3. Por que a ANTIGA Missa em latim?

Para essa resposta, vamos recorrer a um texto de D. Fernando Rifan, atual ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, bispo titular de Cedamusa:

“Conservamos o rito da Missa na sua forma tradicional, isto é, a antiga forma do Rito Romano, como o fazem igualmente muitas congregações religiosas, grupos e milhares de fiéis em todo o mundo. Nós a amamos, preferimos e conservamos por ser, para nós, melhor expressão litúrgica dos dogmas eucarísticos e sólido alimento espiritual pela sua riqueza, beleza, elevação, nobreza e solenidade das cerimônias, pelo seu senso de sacralidade e reverência, pelo seu sentido de mistério, por sua maior precisão e rigor nas rubricas, apresentando assim mais segurança e proteção contra abusos, não dando espaço a “ambigüidades, liberdades, criatividades, adaptações, reduções e instrumentalizações”, como lamenta o Papa João Paulo II. E a Santa Sé reconhece essa nossa adesão como perfeitamente legítima.

Assim, por ser uma das riquezas litúrgicas católicas, exprimimos através da Missa na sua forma tradicional o nosso amor pela Santa Igreja e nossa comunhão com ela.”

D. Fernando Arêas Rifan. Orientação Pastoral: O Magistério Vivo da Igreja, PRIMEIRA CONSEQUÊNCIA: APLICAÇÃO DESSES PRINCÍPIOS TEOLÓGICOS: A QUESTÃO DA MISSA, §3. A CONSERVAÇÃO HOJE DA MISSA NA FORMA TRADICIONAL. Online em 30 de junho de 2012 <http://www.adapostolica.org/modules/wfsection/article.php?articleid=448&page=10 >

 

 

Luiz Favaro

Baseado no texto original “WHY LATIN MASSES?” do Pe. Gommar A. De Pauw, JCD.  Online em 30 de junho de 2012 <http://www.latinmass-ctm.org/latinmass/why.htm> (Tradução Nossa)